Bahia, 13 de Fevereiro de 2026
Por: sul21.com.br
13/02/2026 - 08:57:19

Vivemos um modelo econômico doentio, onde o que importa é a obsessão em transformar, ao infinito, a natureza em dinheiro, e para poucos.

O Brasil, no contexto da divisão internacional do trabalho e inserido no Cone Sul exportador de commodities, vem incrementando gigantesca produção e exportação de celulose, com todos os danos socioambientais incorporados. Entre os impactos irreversíveis da destruição de ecossistemas naturais e da poluição dessas indústrias, está o comprometimento do meio ambiente e o prejuízo para os segmentos mais vulneráveis da sociedade, como povos indígenas e comunidades tradicionais, onde são negadas as consultas prévias, livres e informadas conforme a Convenção 169 da OIT. 

O modelo exportador soja-celulose – que não paga impostos no Brasil -, foi chamado pelo escritor uruguaio, Eduardo Galeano, como “Salva-Vidas de Chumbo“, e não para de crescer no Brasil e em países vizinhos. Neste processo, cresce a destruição do Pampa (monoculturas de eucalipto), seus modos de vida diversos remanescentes, a água boa que resta (288 milhões de litros/dia, da Classe I) trocada por 242 milhões de litros de efluentes tóxicos/dia no Guaíba, no caso do projeto da nova indústria prevista para Barra do Ribeiro. Haverá peixes no futuro, no Guaíba e Laguna dos Patos? 

Na época da ditadura militar, um ministro de “desenvolvimento” acentuava que o lema da produção econômica no Brasil era “Exportar é o que Importa”.

Atualmente, vivemos um momento neoliberal, profundamente contraditório, com o uso de recursos públicos (BNDES), que concentram capital, inclusive em empresas estrangeiras para produção e exportação de celulose, o que gera evidente empobrecimento da diversidade econômica, neste caso, no Estado do Rio Grande do Sul. 

Mas, infelizmente, a maior parte da sociedade não se dá conta que, neste modelo sem alternativas, acaba sendo capturada por um sistema que, ao fim e ao cabo, faz girar um círculo vicioso de acumulação mórbida que beneficia alguns, destrói o meio ambiente, compromete o futuro e escraviza a maioria.

As fábricas de celulose estão entre as maiores fontes de poluição no mundo. No branqueamento da celulose, produtos clorados produzem dioxinas e furanos, poluentes persistentes e cancerígenos. Malformações em peixes já foram verificadas no Guaíba, na década passada, pelo Laboratório de Ictiologia da UFRGS. Um dos pontos com maior incidência de alterações corresponde à foz do arroio Celupa, em Guaíba. Surpreendentemente, a Fepam considerou não mais necessário serem realizadas estas pesquisas…

A atual empresa chilena CMPC, com projeto de produção de 3 milhões de toneladas de celulose, em Barra do Ribeiro, é herdeira da indústria Borregaard, que se instalou na década de 1970 em Guaíba e se destacou por liberar mau cheiro na região, inclusive em Porto Alegre. Não por acaso, na mesma época surgiu a Agapan e a maior parte do movimento ambientalista no Estado.  

O que será feito com tanta celulose? Que custos socioambientais têm essa forma de produção e consumo sem limites, já que papel quase não se usa mais? Os limites da Ecosfera decorrentes deste modelo de esgotamento chegaram. Foram ultrapassados 7 entre 9 limites, segundo o Instituto Potsdam de Pesquisas dos Impactos Climáticas, da Alemanha. 

Mas, a bancarrota do sistema não move seus responsáveis. O lobby da celulose é gigantesco, no Legislativo, Executivo… 

Somente a mobilização da sociedade poderá por freio a essa loucura de se permitir superar a capacidade de suporte da qualidade da água no Guaíba e do ar da Região Metropolitana de Porto Alegre. Por isso, é necessário que se exija da Fepam outras audiências públicas, em Porto Alegre e nos demais municípios afetados por este megaempreendimento que pode corresponder a uma bomba de poluentes a milhões de pessoas da região.

Assine e passe adiante este Abaixo-assinado por Audiências Públicas deste empreendimento da CMPC, em Porto Alegre e região.

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