Bahia, 01 de Julho de 2022
Por: CNN Brasil
13/06/2022 - 05:29:56

Mais uma vez neste ano, as decisões de juros no Brasil e Estados Unidos ocorrerão no mesmo dia, quarta-feira (15), em uma data apelidada por investidores como “super quarta”, já que as duas definições devem mexer com o mercado.

Entretanto, as atenções para as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve estão concentradas menos nas altas de juros em si, e mais nos comunicados que serão divulgadas após os encontros.

O motivo é que o mercado já tem uma decisão quase consensual sobre os dois movimentos. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os juros devem subir 0,5 ponto percentual, uma aposta que foi reforçada com indicadores econômicos divulgados entre maio e junho.

Por isso, especialistas consultados pelo CNN Brasil Business afirmam que o foco estará nas sinalizações dos dois bancos centrais sobre os próximos passos do ciclo de alta. Em relação ao brasileiro, sobre seu possível fim, e no caso norte-americano, sobre sua velocidade.

No Brasil, o fim de um ciclo?

O Copom começou a subir a taxa básica de juros, a taxa Selic, em março de 2021, colocando a economia brasileira como uma das primeiras dentre as maiores a iniciar um ciclo de alta de juros para combater uma inflação, em geral, com causas semelhantes pelo mundo.

Mais de um ano depois, e com um recorde de 10 altas seguidas, a Selic saltou de 2% para 12,75% ao ano, e o mercado acredita que o Banco Central não deve parar por aí.

A visão da maioria dos agentes financeiros é que o Copom optará por elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual, passando os juros para 13,25% ao ano. O grande mistério é se a autarquia sinalizará que vai parar por aí ou deixará a porta aberta para outra alta em agosto.

Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, avalia que o dado de inflação de maio veio um pouco melhor que o esperado pelo mercado, mas que, na análise por componentes, ainda está “muito ruim”.

“[Por isso] o mercado quer entender o que o Banco Central vai falar se vai parar, pelos sinais de melhora na inflação, ou se vai dar 0,5 p.p. e deixar o que vai fazer em aberto pela situação dos núcleos”.

Ela aponta que, com um grau de disseminação da inflação acima de 70%, não seria prudente que o Copom fechasse a porta para uma possível alta em agosto dependendo do cenário inflacionário.

Mesmo achando que essa não deveria ser a ação ideal, ela não descarta que o Banco Central já indique no comunicado ao fim da reunião que optou por encerrar o ciclo atual de alta.

Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama, tem uma visão divergente. Ele acredita que o Banco Central deve indicar o fim do ciclo após a alta de 0,5 p.p. ou deixar em aberto a possibilidade de uma outra elevação futura, de 0,25 p.p.

Ele vê a taxa de juros atual como “muito contracionista”, e defende que “talvez seja melhor ficar em uma taxa de 13,25% por mais tempo do que subir mais e precisar voltar mais cedo. Se fizer 13,25% e vai até o meio do ano que vem assim, caindo só no segundo semestre, faria mais sentido que ir além”.

O economista ressalta que os efeitos das altas de juros possuem uma defasagem até impactarem na inflação, que costuma ser de nove meses a um ano.

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