Pré-candidato ao governo da Bahia parece vagar sem rumo, em meio a discursos contraditórios e acenos que confundem aliados
Inspirando-se, ainda que involuntariamente, nos delírios do personagem Dom Quixote, obra clássica de Miguel de Cervantes, o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, tem dado sinais claros de um comportamento político errático, marcado por falas desconexas e posicionamentos que mais confundem do que esclarecem.
Assim como o cavaleiro da literatura, que lutava contra inimigos imaginários, ACM Neto parece travar batalhas políticas sem direção definida, oscilando entre discursos que ora tentam agradar a direita, ora fazem acenos explícitos a figuras que representam o oposto ideológico da direita bahiana.
O episódio mais recente, ao elogiar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, chamando-o de “jurista de virtudes”, caiu como uma bomba entre setores conservadores. Para muitos, a fala não foi apenas infeliz — foi reveladora. Expôs um político que parece mais preocupado em não desagradar do que em afirmar convicções. Isso decepciona muitos eleitores que querem mudanças na política da Bahia.
A insatisfação não se limita aos bastidores. Em entrevista recente, a médica e ex-candidata ao Senado, Raíssa Soares, fez críticas indiretas à condução política de ACM Neto. Segundo ela, o apoio do ex-prefeito de Salvador a Ronaldo Caiado, pode acabar contribuindo para um novo cenário de derrota na Bahia — favorecendo mais uma vez mais o atual governador Jerônimo Rodrigues.
A declaração reforça a percepção de desalinhamento dentro do próprio campo político que ACM Neto tenta representar. Quando vozes próximas ideologicamente passam a questionar estratégias e alianças, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.
A impressão que fica é a de um líder sem eixo. Um nome que tenta se manter viável politicamente adotando um discurso flexível demais, a ponto de perder consistência. Em política, a ausência de posicionamento claro não é estratégia — é fraqueza.
O eleitor baiano, especialmente em um cenário de disputas acirradas, tende a rejeitar figuras que não demonstram firmeza. E é justamente nesse ponto que ACM Neto se fragiliza: falta-lhe a contundência que transforma discurso em liderança.
Enquanto isso, sua trajetória como ex-prefeito de Salvador vai ficando para trás, incapaz de sustentar, sozinha, um projeto de poder mais amplo. A Bahia exige mais do que lembranças administrativas — exige clareza, coragem e direção.
Se continuar nesse caminho, ACM Neto corre o risco de consolidar uma imagem indigesta: a de um político que fala muito, mas diz pouco; que se move, mas não avança; que disputa, mas não convence.