
A Justiça Federal decidiu colocar em liberdade Rodrigo Santana Pedro, conhecido como "Cacique Mandi", líder indígena acusado de ordenar um ataque a tiros contra um carro ocupado por turistas gaúchos que passavam férias no distrito de Cumuruxatiba, em Prado, no Sul baiano.
A decisão liminar, obtida com exclusividade pelo site BNews, foi proferida na última segunda-feira (9) pela Desembargadora Federal Solange Salgado da Silva, do Tribunal Região da 1ª Região (TRF1), e ocorre em meio a um cenário de guerra por território na região da Terra Indígena Comexatibá — incidente que terminou respingando em duas turistas do Rio Grande do Sul, no dia 24 de fevereiro.
Ao passarem por uma estrada vicinal em direção à praia da Barra do Cahy, o grupo deu de cara com um bloqueio montado por homens de "rostos pintados". Ao tentarem desviar, o veículo foi crivado de balas. Duas mulheres, Josiane Clélia Moro e Denise Cristina Sperafico Moro, foram atingidas e precisaram ser resgatadas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro.
De acordo com a polícia, o ataque foi uma "proteção territorial" distorcida: o grupo acreditava que os turistas eram uma ameaça à aldeia. Durante a operação que prendeu 12 suspeitos — incluindo oito adultos e quatro adolescentes —, a polícia apreendeu um verdadeiro arsenal bélico:
-Espingardas calibre 12 e rifles .38 e .22.
-Revólveres e farta munição.
-Balaclavas usadas para esconder os rostos durante a emboscada militarizada.
Apesar da acusação da Polícia Civil de que Mandi deu a ordem direta para "abrir fogo" após o veículo não obedecer à ordem de parada, o tribunal viu brechas na investigação. O Ministério Público Federal (MPF) considerou os indícios contra o Cacique "duvidosos", já que a única prova direta seria o depoimento de um menor de idade.
Além disso, a defesa alegou que era injusto manter o "mentor" preso enquanto os supostos atiradores (executores diretos) já tinham sido soltos pela justiça. Foi ressaltado ainda que Rodrigo é bolsista de pesquisa da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e possui histórico de liderança diplomática, o que pesou a seu favor.
Apesar de ser colocado em liberdade, o Cacique Mandi terá que cumprir regras rigorosas ao sair da cadeia, como o uso de tornozeleira eletrônica, proibição total de contato com os outros 11 investigados, proibição de deixar a cidade sem autorização do juiz e obrigação de atuar pela solução pacífica dos conflitos agrários na região.
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Confira a Decisão na íntegra:
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