Bahia, 25 de Fevereiro de 2026
Por: A Gazeta Bahia
25/02/2026 - 13:05:58

O crime, ocorrido em 2009, vitimou líderes sindicais durante uma greve. Julgamento do ex-secretário Edésio Lima e outros dois réus está marcado para o dia 5 de maio.

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) definiu nesta terça-feira (25) a data para o desfecho judicial de um dos crimes que mais chocaram a região do extremo sul baiano. Quase 17 anos após as execuções dos professores da rede municipal Álvaro Henrique (28 anos) e Elisney Pereira (31 anos), a Justiça marcou para o dia 5 de maio o Júri Popular dos três acusados pelo duplo homicídio.

O crime ocorreu no dia 17 de setembro de 2009, durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Abade. Na época, Álvaro Henrique presidia a APLB Sindicato e liderava uma forte oposição às políticas adotadas pelo Executivo municipal, o que havia resultado na deflagração de uma greve da categoria.

A Investigação e a "Teia Macabra"

Meses após os assassinatos, o Ministério Público ofereceu denúncia contra três homens, que agora sentarão no banco dos réus:

  • Edésio Ferreira Lima Dantas: Marqueteiro e então secretário de Governo e Comunicação do município, apontado pelas investigações como o mandante do crime.

  • Sandoval Barbosa dos Santos e Joilson Rodrigues Barbosa: Policiais militares que, na época, integravam a equipe de segurança do ex-prefeito Gilberto Abade.

O desenrolar das investigações expôs um cenário de violência extrema nos bastidores políticos da cidade. Além da morte dos educadores, a teia de crimes envolveu a execução do então motorista do prefeito e de outro comparsa. Uma terceira pessoa chegou a ser alvejada por 12 tiros, mas conseguiu sobreviver.

Os três acusados pelas mortes dos professores chegaram a ser presos preventivamente e permaneceram encarcerados por um período de dez meses, mas foram soltos e respondem ao processo em liberdade até a presente data.

Repercussão e Defesa

A confirmação da data do Júri Popular trouxe o caso de volta aos holofotes, ganhando forte repercussão na imprensa regional e nas redes sociais nesta terça-feira. Até o fechamento desta reportagem, a direção da APLB Sindicato não havia se manifestado oficialmente sobre a marcação do julgamento.

Em entrevista recente ao site agazetabahia, Edésio Lima Dantas rechaçou as acusações. O marqueteiro, que é figura conhecida na região por atuar em diversas campanhas políticas, afirmou estar com a "consciência tranquila" e não se sentir preocupado com o júri.

Edésio declarou que as pessoas que o conhecem sabem que ele jamais se envolveria nesse tipo de situação e classificou a si mesmo como um "preso político" no período em que esteve detido, ressaltando que sua liberação da cadeia ocorreu exatamente dois dias após o período eleitoral da época.

Edésio Lima: tenho a consciência tranquila. Foto: A Gazeta Bahia

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