Bahia, 25 de Janeiro de 2026
Por: Engenharia de Comunicação
25/01/2026 - 07:29:51

“Descobri o diagnóstico após dez anos de sedentarismo, que me renderam 30 kg a mais e uma obesidade grau 2. A obesidade é fator de risco para o tipo de câncer que eu tive. Receber essa notícia com um filho recém-nascido foi o que me fez mudar tudo”, relembra Marcos.

O câncer é uma realidade para muitos brasileiros. Embora os números consolidados de casos registrados em 2025 ainda não tenham sido publicados oficialmente, estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam 704 mil novos casos de câncer no ano, mantendo a tendência observada para o triênio 2023–2025.

Para Marcos, o diagnóstico foi um chamado à ação. “Jamais pensei em desistir. Meu diagnóstico foi em fase inicial, com um tumor menos agressivo, o que me deu um excelente prognóstico. Mas, mesmo assim, você percebe que os desafios chegam quando menos se espera, e é preciso enfrentá-los com calma e visão positiva de futuro.”

Entre consultas e tratamentos, Marcos decidiu mudar seu estilo de vida radicalmente. “Passei a ter rotina de exercícios, emagreci, melhorei a alimentação, cuidei do emocional. Tudo isso impactou meu trabalho, meu humor, minha criatividade e minha disposição. Foi uma virada de chave.”

Mas o maior impacto dessa mudança viria depois. Ele, que antes de tudo trabalhava com infraestrutura de TI, percebeu que a transformação que viveu poderia alcançar outras pessoas. E foi assim, sua história virou propósito: nasceu a ideia de criar uma plataforma focada em ajudar pessoas a criarem hábitos saudáveis de vida.

“Quando fui diagnosticado, comecei a participar de grupos de desafios de saúde e os resultados foram muito bons. Acabei transformando essa experiência em uma metodologia que foi implementada em alguns grupos e se tornou uma empresa em 2019 — a Fortalece”, conta.

O que começou como um desafio pessoal se transformou em um projeto que hoje impacta diversas áreas, incluindo a educação em todo o Brasil, com atenção especial a professores e outros profissionais da área.

“Todos me perguntam por que focamos na educação. Minha família sempre esteve ligada à área. Minha irmã e minha esposa são professoras, e minha mãe foi zeladora de escola por mais de 20 anos. Eu via de perto os desafios diários deles e, por isso, decidimos direcionar o foco do projeto a esses profissionais”. 

Em 2022, um piloto com 300 professores mostrou um cenário alarmante. “Percebemos que muitos professores tinham indicadores de bem-estar abaixo da média dos outros grupos que atendíamos. Fomos pesquisar e descobrimos dados preocupantes: uma pesquisa da Fundação Nova Escola mostrou que 28% dos professores afirmaram já ter sofrido ou estar com depressão, 61% sentem-se frequentemente ansiosos e 21,5% avaliam sua saúde mental como ruim ou péssima.”

Marcos sabia que precisava agir. Assim, decidiu criar uma segmentação especial aos profissionais da educação - o Fortalece Educação. No ano seguinte, apresentaram o projeto à Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial do Estado do Paraná (SEIA) e foram aprovados para receber apoio financeiro e técnico, aprimorando a tecnologia da solução, principalmente pelo interesse público e alinhamento aos ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) propostos.

"Em 2024, a ferramenta foi validada com mais de dois mil profissionais em Campo Mourão, Mamborê e Luiziana, no Paraná, e com os resultados positivos, iniciamos a comercialização da plataforma para outras secretarias de educação do Estado".

Segundo Marcos, os desafios no campo da educação são profundos e multifacetados. “As rápidas mudanças geracionais, alunos com múltiplos diagnósticos na mesma sala, a falta de apoio de algumas famílias, agressões verbais e até físicas, além da constante cobrança por resultados, geram uma pressão enorme sobre os professores.”

E assim, ele ressalta que melhorar a autoestima, o sono e a disposição, além de reduzir a ansiedade, amplia a capacidade cognitiva dos educadores, fortalece a conexão com os alunos e tem o potencial de, literalmente, elevar o nível de ensino no Brasil.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil, considerado o país mais sedentário da América Latina e o quinto no ranking mundial, cerca de 300 mil pessoas morrem por ano devido a doenças associadas ao sedentarismo. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47% dos brasileiros adultos são sedentários e, entre os jovens, o número chega a 84%.

Bons hábitos

Rinaldi explica que a plataforma Fortalece incentiva hábitos saudáveis por meio da neurociência, muita tecnologia e gamificação. Lá, é possível acessar aulas de yoga, meditação, ginástica laboral, pilates e até receber mensagens motivacionais todas as manhãs.

Em algumas etapas, os participantes recebem desafios e missões semanais, competem de forma amigável com colegas e acumulam pontos à medida que completam suas atividades — como meditar, caminhar ou manter uma alimentação equilibrada. Tudo é acompanhado por um feed de notícias personalizado, que conecta pessoas do mesmo círculo, como uma escola, um bairro ou uma região.

“Temos visto professores perderem peso, recuperarem a autoestima, controlarem a ansiedade e saírem do sedentarismo. Nosso maior legado é o impacto na vida deles. Um pequeno incentivo hoje pode mudar o destino de alguém para uma vida mais longa e feliz.”

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